Entre a Jackson e a Cleveland, há vida.
Crianças correm sem pressa,
com pés que ainda não sabem
o peso do asfalto quente.
Há risos soltos no vento,
mas também há silêncio,
aquele que paira
quando a noite pesa nos ombros
de quem carrega mais do que deveria.
Os carros passam apressados,
enquanto um velho toca violão na varanda,
dedilhando saudades
de um tempo que já não cabe no bolso.
Entre a Jackson e a Cleveland, há amores.
Os que se encontram na esquina,
os que se perdem na curva,
os que nunca souberam o caminho de volta.
Chove e faz sol no mesmo dia,
como se o céu também não soubesse
se ri ou se chora.
E eu? Eu escrevo.
Recolho os instantes que sobram,
guardo os cheiros, os ecos, os gestos.
Moro e morro entre a Jackson e a Cleveland,
mas vivo entre tudo o que há no meio.