Author: pessoasemletras

  • Entre linhas: Clara.

    Clara aprendeu logo cedo que gente precisa guardar as coisas importantes em silêncio.

    Não por medo exatamente, mas porque algumas histórias parecem frágeis demais para o mundo lá fora. Como se, ao serem ditas, pudessem perder a forma que só existe por dentro.

    Clara é assim.

    Ou talvez ainda esteja aprendendo a ser.

    Por fora, a vida segue organizada, os dias têm lugar, os afetos têm nome, e tudo parece caber dentro do que é esperado.

    Mas existe um desvio.

    Um espaço que ela não se explica, onde mora algo que nunca chegou a existir por completo… e, ainda assim, nunca deixou de ser.

    É ali que esse amor vive.

    Um amor quase perfeito, porque nunca precisou enfrentar o peso do cotidiano.

    Quase realizado, porque ficou na beira, sem tempo de se desgastar, sem falhas suficientes para desaparecer.

    E talvez seja isso que mais a confunda.

    Porque não foi vivido o bastante para ter fim, mas foi sentido o suficiente para permanecer.

    Clara não saberia dizer quando começou.

    Talvez tenha nascido de um olhar que demorou mais do que deveria, ou de uma presença que deixou marcas onde não podia.

    O fato é que existe.

    Silencioso. Persistente. Guardado.

    Há dias em que ela acredita que entende tudo… o que deve preservar, o que não pode atravessar, o que é certo.

    Mas saber nunca foi o problema.

    O problema é sentir.

    É perceber que, mesmo escondido, esse sentimento ainda encontra espaço.

    Ainda respira.

    E Clara segue, entre o que construiu e o que, por um instante, imaginou construir diferente.

    Não existe resposta limpa para isso.

    Só esse lugar suspenso entre o que é vivido e o que insiste em permanecer.

    E, no fundo, talvez seja essa a parte mais difícil de aceitar: que alguns amores não vêm para acontecer no mundo: vêm para habitar alguém.

    Silenciosamente.

    Profundamente.

    Como tudo aquilo que nunca se explica,

    mas nunca vai embora.

  • Entre a Jackson e a Cleveland


    Entre a Jackson e a Cleveland, há vida.
    Crianças correm sem pressa,
    com pés que ainda não sabem
    o peso do asfalto quente.


    Há risos soltos no vento,
    mas também há silêncio,
    aquele que paira
    quando a noite pesa nos ombros
    de quem carrega mais do que deveria.


    Os carros passam apressados,
    enquanto um velho toca violão na varanda,
    dedilhando saudades
    de um tempo que já não cabe no bolso.


    Entre a Jackson e a Cleveland, há amores.
    Os que se encontram na esquina,
    os que se perdem na curva,
    os que nunca souberam o caminho de volta.


    Chove e faz sol no mesmo dia,
    como se o céu também não soubesse
    se ri ou se chora.


    E eu? Eu escrevo.
    Recolho os instantes que sobram,
    guardo os cheiros, os ecos, os gestos.
    Moro e morro entre a Jackson e a Cleveland,
    mas vivo entre tudo o que há no meio.

  • To Luna, My Heart’s Light

    From the moment you arrived, so small and pure,

    You filled my life with a love that’s sure.

    A love that grows with each passing day,

    In your gentle gaze, I find my way.

    Your laughter is a melody, sweet and bright,

    Turning the dark into warm, golden light.

    Your tiny hands, your sparkling eyes,

    In them, I see the vast, endless skies.

    Through sleepless nights and early mornings too,

    I’ve become someone stronger because of you.

    Your love has taught me patience and grace,

    With every touch, every smile on your face.

    Being your mom has changed who I am,

    Made me kinder, braver, a better woman,

    For in your eyes, I find my purpose and peace,

    And in your love, all doubts cease.

    Luna, my darling, you’re the reason I soar,

    With you, my heart feels fuller, more.

    In your arms, I’ve found all I need,

    Forever, you’ll be my heart’s heartbeat.

  • Juliana

    Juliana, mulher de força e razão,
    Pilar que sustenta, coração em ação.
    Séria no semblante, mas cheia de vida,
    A mais inteligente, uma alma destemida.

    Foi mãe tão cedo, mas não hesitou,
    Com três filhos nos braços, seus sonhos abraçou.
    Faculdade concluída, o saber a guiar,
    Professora brilhante, a ensinar e inspirar.

    Hoje é mãe, avó, um exemplo a seguir,
    Uma mistura de amor e o desejo de sorrir.
    Talvez um pouco maluca, mas quem não é?
    Vive a vida com paixão, sem perder a fé.

    Juliana, tua força é o teu legado,
    Uma vida vivida, um caminho trilhado.
    És amor, és luta, és inspiração,
    Para nós, sempre serás a maior lição.